Come As You Are - Resenha crítica - Emily Nagoski
×

Novo ano, Novo você, Novos objetivos. 🥂🍾 Comece 2024 com 70% de desconto no 12min Premium!

QUERO APROVEITAR 🤙
63% OFF

Operação Resgate de Metas: 63% OFF no 12Min Premium!

Novo ano, Novo você, Novos objetivos. 🥂🍾 Comece 2024 com 70% de desconto no 12min Premium!

69 leituras ·  4 avaliação média ·  28 avaliações

Come As You Are - resenha crítica

Sexo & Relacionamentos

Disponível para: Leitura online, leitura nos nossos aplicativos móveis para iPhone/Android e envio em PDF/EPUB/MOBI para o Amazon Kindle.

ISBN: 978-1-9821-6531-4

Editora: Simon & Schuster Paperbacks

Resenha crítica

Come As You Are

Você já se pegou pensando se o seu desejo sexual, o tempo que leva pra chegar lá ou as coisas que te dão prazer são normais? Aquela dúvida silenciosa de que existe algo quebrado no seu corpo ou na sua cabeça, algo que precisaria de conserto pra você finalmente ser como as outras mulheres parecem ser?

Relaxe. A ciência mais recente da sexualidade feminina, reunida pela pesquisadora Emily Nagoski depois de duas décadas dando aula pra centenas de mulheres, chegou a uma resposta que muda tudo. Sim, você é normal. E mais: aquilo que você achou que era defeito é, na verdade, a engenharia única do seu cérebro operando em conjunto com o seu corpo, dentro do contexto específico da sua vida.

Nas próximas páginas, você vai entender por que a lubrificação não prova desejo, por que o freio importa mais que o acelerador, por que a vontade não precisa vir "do nada" e por que julgar seu próprio corpo age como um estressor bioquímico real. No fim, a proposta é simples e revolucionária: aprender a amar o que é verdade sobre você, hoje, do jeito que você funciona agora.

Você é um jardim, não uma versão menor de outro corpo.

Durante séculos, a medicina ocidental descreveu o corpo feminino como uma variação incompleta do masculino. Um pênis que não cresceu, um sistema hormonal instável, um mistério a ser corrigido. A biologia moderna virou essa história do avesso. É a chamada biologia da homologia: no útero, todos os embriões começam com as mesmas peças, os mesmos tecidos, as mesmas terminações nervosas. Só depois essas peças se organizam de formas diferentes, igualmente sofisticadas.

O clitóris, por exemplo, não é aquele pequeno botão externo que você viu num desenho de escola. É uma estrutura ampla, com bulbos e pernas internas chamadas cruras, tão vascularizada quanto o pênis e com aproximadamente a mesma quantidade de terminações nervosas. A maior parte dele mora dentro de você, invisível, mas absolutamente ativa. E o hímen não é um lacre de frescor que sangra na primeira vez: é uma membrana com variações anatômicas enormes, algumas mulheres nem nascem com ele perceptível, e ele não tem função biológica central.

Nagoski usa a Metáfora do Jardim pra explicar. Sua biologia física é o terreno em que você nasceu. Fértil, único, perfeito por definição. O problema é que a cultura passa a vida tentando plantar sementes de vergonha nesse jardim, dizendo que a terra está errada. Não está. A terra é sua, e é boa.

Seu cérebro tem acelerador e freio ao mesmo tempo.

Aqui entra a descoberta mais transformadora do microbook: o modelo de controle duplo da resposta sexual, criado pelos pesquisadores John Bancroft e Erick Janssen no Instituto Kinsey. Seu cérebro tem um Sistema de Excitação Sexual, o SE, que funciona como acelerador. Ele detecta no ambiente qualquer estímulo que o cérebro classifica como sexualmente relevante: um cheiro, uma mão na sua nuca, uma frase sussurrada. E tem os Sistemas de Inibição Sexual, os SI, que funcionam como freios. Eles monitoram ameaças: dor, medo de gravidez, filho acordado no quarto ao lado, discussão pendente com o parceiro, cansaço, insegurança sobre o próprio corpo.

Toda a sua resposta sexual é o resultado dessa dança. E é aqui que quase todo mundo se engana. Quando algo não vai bem na cama, a mulher pensa: "meu acelerador está fraco, meu tesão sumiu". Quase nunca é isso. Na esmagadora maioria dos casos, o acelerador está funcionando bem, mas os freios estão sendo pisados com força pela vida.

Sensibilidade de acelerador e freio varia enormemente de mulher pra mulher, e essa variação entre mulheres é maior do que a variação média entre homens e mulheres. Ou seja, não existe "libido feminina padrão". Existe a sua.

O contexto muda tudo, inclusive o que você chama de prazer.

O que te excita ou te desanima não é fixo, não é inato, não está tatuado no seu DNA. É aprendido, e depende do contexto. A mesma carícia, no mesmo lugar, feita pela mesma pessoa, pode ser deliciosa numa sexta à noite depois do jantar e insuportável numa terça de manhã depois de uma reunião difícil.

O cérebro emocional processa a experiência sexual por três caminhos independentes, que Nagoski apelida de One Ring, o Um Anel: aprender, gostar e querer. Você pode aprender que certo gesto é sexual sem gostar dele. Pode querer sexo com alguém sem gostar do sexo em si naquele momento. Pode gostar de algo sem estar querendo agora. Esses três circuitos não caminham juntos automaticamente, e isso explica muita confusão íntima.

Pra maior parte das mulheres, o contexto que ativa o acelerador e silencia os freios envolve três ingredientes: alto afeto, baixo estresse acumulado e confiança profunda. Trocar o cenário, criar um jantar sem pressa, fazer uma caminhada juntos, tirar o celular do quarto, muda dramaticamente como o mesmo corpo responde ao mesmo toque.

O estresse não fechado que sequestra sua libido.

O corpo humano não evoluiu pra enfrentar reuniões, boletos e mensagens não respondidas. Evoluiu pra correr de leão. Quando você sente estresse, seu sistema límbico entra em modo sobrevivência e a libido é a primeira coisa que ele desliga. Enquanto o leão estiver perto, não faz sentido nenhum querer sexo.

O problema é que a vida moderna nunca deixa o leão ir embora. A gente vive o dia inteiro em estresse baixo, contínuo, sem completar o ciclo de resposta ao estresse que a biologia exige. Correr, chorar, gritar, dançar, abraçar alguém por vinte segundos: são jeitos concretos de dizer ao corpo "o perigo passou". Sem esse fechamento, o corpo continua achando que ainda tem leão por perto, e o desejo simplesmente não aparece.

Mulheres com histórico de trauma vivem uma versão intensa disso: o corpo congelou numa resposta de freeze antiga, e destravar exige um trabalho paciente, muitas vezes com mindfulness. E existe também o fenômeno perturbador do solace sex, o sexo-consolo em relações inseguras: quando o apego está ameaçado, o corpo pode gerar um desejo induzido pelo próprio medo de abandono, e a mulher confunde alívio emocional com tesão verdadeiro.

O peso das mensagens que você recebeu a vida inteira.

Desde criança, mulheres são bombardeadas por três tipos de mensagens tóxicas que Nagoski chama de Moral, Médica e Midiática. A Moral diz que você é suja se sentir prazer. A Médica diz que você é disfuncional se não funcionar igual ao homem. A Midiática diz que seu corpo, do jeito que é, não serve.

E aqui a ciência é brutal: julgar o próprio corpo não é só chato, é bioquimicamente idêntico a uma ameaça de sobrevivência. Quando você se olha no espelho e sente nojo da própria barriga, seu cérebro registra isso como perigo, pisa nos freios sexuais, corta lubrificação, desconecta o foco do prazer. A vergonha não é psicológica só: ela é fisiológica.

A boa notícia é que existe um antídoto testado. O movimento Health at Every Size, com décadas de pesquisa, mostra que autoaceitação corporal prevê vida sexual satisfatória muito melhor do que qualquer medida na balança. E a autocompaixão, que é falar consigo mesma com a mesma gentileza que você usaria com uma amiga querida, é a prática que dissolve o nojo aprendido. Porque nojo sexual é uma aversão aprendida, e o que se aprende também se desaprende.

Seu corpo pode reagir sem que você esteja querendo.

Prepare-se pra um dado que quebra mitos em série. Pesquisas medindo lubrificação vaginal e desejo consciente ao mesmo tempo mostraram algo chamado não-concordância da excitação: a lubrificação genital coincide com o sentimento subjetivo de tesão em apenas cerca de 10% das vezes nas mulheres. Nos homens, essa concordância chega a 50%.

Traduzindo: seu corpo pode lubrificar diante de um estímulo que o cérebro classifica como "relacionado a sexo", mesmo que você não esteja interessada, não esteja atraída, ou até esteja em situação de agressão. É um reflexo autônomo, pavloviano, mecânico. A resposta genital não equivale ao gostar consciente. Ponto.

Isso tem duas consequências práticas enormes. Primeiro, protege a mulher da culpa injusta em casos de violência, onde o corpo pode reagir contra a vontade. Segundo, liberta os relacionamentos: usar lubrificante artificial não é sinal de que você não ama, não deseja, não se importa. É só o seu corpo tendo um ritmo de resposta diferente do ritmo mental. O parceiro nunca deve usar seus genitais como medidor honesto de vontade. As palavras é que são o guia.

O mito da vontade que vem do nada.

A cultura ensinou que desejo verdadeiro aparece de repente, do nada, como fome. Você está no ônibus, bate uma vontade, pronto. Isso é o Desejo Espontâneo, e ele existe, sim, especialmente em quem tem acelerador muito sensível. Mas ele é só um dos jeitos de desejar.

O outro jeito, tão saudável e comum quanto, é o Desejo Responsivo. A vontade aparece depois que o corpo já começou a ser tocado, depois que o contexto acolhedor foi criado, depois que os freios foram soltos. Aproximadamente metade das mulheres opera principalmente nesse modo. Não é doença. Não é sintoma. É funcionamento.

O problema surge quando um casal tem uma pessoa com desejo espontâneo e outra com desejo responsivo, e a de vontade instantânea passa a cobrar da parceira: por que você nunca começa? Instala-se o chasing dynamic, a dinâmica de perseguição, que só piora o quadro. Quanto mais um persegue, mais o outro recua. A saída é abandonar a cobrança, entender que o sexo é motivação de incentivo, um convite à diversão e à curiosidade, e não um impulso de sobrevivência como sede.

O pequeno monitor que sabota o seu orgasmo.

Orgasmo é apenas a liberação involuntária de tensão muscular e sexual acumulada. Só isso. Não precisa vir de penetração, não precisa acontecer ao mesmo tempo que o do parceiro, não precisa durar um tempo específico. E principalmente: não existe hierarquia do orgasmo. O clímax alcançado por estímulo clitoriano manual, por vibrador ou pela imaginação não é inferior ao alcançado por penetração. Essa hierarquia foi inventada por Freud e desmontada pela ciência há décadas.

O grande inimigo do orgasmo tem nome: Spectatoring, o ato de virar espectador de si mesma durante o sexo. É aquele pequeno monitor mental que fica avaliando: "estou demorando muito?", "será que ele está cansado?", "meu barriga está feia nessa posição?", "quando é que eu vou gozar?". Enquanto esse monitor está ligado, o prazer não flui, porque atenção dividida é atenção retirada da sensação.

A solução não é técnica melhor. É soltar a agenda. Trocar o objetivo do orgasmo pelo foco total no fluxo das sensações imediatas. Quando você para de perseguir o clímax, ele geralmente vem sozinho, e vem maior. Orgasmos verdadeiramente transformadores exigem que todas as motivações emocionais apontem pra mesma direção: confiança, vulnerabilidade, ausência de vergonha e autoaceitação.

Amar o que é verdade sobre você.

Saber que você é normal, com base em ciência sólida, é o primeiro passo. Mas Nagoski chama de love what's true o passo seguinte: amar ativamente a verdade fisiológica e mental do seu corpo do jeito que ele é hoje. Não a versão que caberia no ideal inatingível dos filmes e das telas. A versão real, com suas oscilações, seus ritmos, suas cicatrizes.

A ferramenta pra isso é o não-julgamento. Diante da libido que oscila, do trauma que ainda ecoa, do parceiro que quer mais ou menos que você, do corpo que envelhece, o não-julgamento encerra o ciclo de punição. Você para de se cobrar por ser quem é. E é preciso, também, lamentar abertamente a perda do ideal que a cultura te obrigou a carregar. Sentir raiva disso, chorar isso, pra depois ter espaço pra desfrutar a realidade imperfeita e deliciosa que sobra.

O ingrediente secreto é você.

Deixe pra trás a ilusão ditada pelas telas. Sua anatomia não é rascunho, seu desejo não está atrasado e sua resposta obedece à engenharia singular do seu cérebro. Acolha os ritmos e silêncios do seu corpo hoje, sem cronômetros nem críticas, e permita que sua sexualidade seja, enfim, um espaço de liberdade.

Leia e ouça grátis!

Ao se cadastrar, você ganhará um passe livre de 7 dias grátis para aproveitar tudo que o 12min tem a oferecer.

Quem escreveu o livro?

O bio oficial é: "Emily Nagoski tem um PhD em Saúde Comportamental, com uma concentração de doutorado em sexualidade humana da Universidade de Indiana (IU), e um mestrado (também da IU) em Aconselhamento, com um estágio clínico no Instituto Kinsey Saúde Sexual Clinic. Ela ensinou-graduação e aulas de graduação em sexualidade humana, os relacionamentos e comunicação, gestão do stress, e educação sexual. "O que tudo isso significa, realmente, é que eu estou aqui para ensinar as mulher... (Leia mais)

Aprenda mais com o 12min

6 Milhões

De usuários já transformaram sua forma de se desenvolver

4,8 Estrelas

Média de avaliações na AppStore e no Google Play

91%

Dos usuários do 12min melhoraram seu hábito de leitura

Um pequeno investimento para uma oportunidade incrível

Cresca exponencialmente com o acesso a ideias poderosas de mais de 2.500 microbooks de não ficção.

Hoje

Comece a aproveitar toda a biblioteca que o 12min tem a oferecer.

Dia 5

Não se preocupe, enviaremos um lembrete avisando que sua trial está finalizando.

Dia 7

O período de testes acaba aqui.

Aproveite o acesso ilimitado por 7 dias. Use nosso app e continue investindo em você mesmo por menos de R$14,92 por mês, ou apenas cancele antes do fim dos 7 dias e você não será cobrado.

Inicie seu teste gratuito

Mais de 70.000 avaliações 5 estrelas

Inicie seu teste gratuito

O que a mídia diz sobre nós?